sábado, 20 de março de 2010

OPINIÃO - FILME - Quando tudo começa

Pode parecer spoiler, mas não é...

"Está na terra. Montes de pedrinhas, postas uma a uma. São as mãos de nossos pais e avós. Toda a paciência acumulada, resistindo à chuva no horizonte, juntando pequenas poças para guardar a luz da Lua. Para ficar em pé, inventar montanhas e escorregar de trenó e acreditar que tocou as estrelas! Vão contar aos nossos filhos. Dizer que foi duro. Vão contar que eram os senhores, nossos pais. E que deles herdamos montes de pedrinhas e, junto, a coragem de carregá-las."

O filme termina assim. E só depois que você vê todo o filme é que se entende o que essas frases significam. Belíssima película que retrata uma face européia pouco conhecida. Sempre que ouvimos falar da Europa, entendemos que é um continente rico, sem problemas.

O filme mostra a realidade de uma cidade na França que sofre com uma taxa de 34% de desemprego e a difícil sina de um diretor de escola apaixonado, que luta pelo melhor para seus alunos. O filme retrata o drama vivido pelo personagem dentro do panorama político-pedagógico da sociedade francesa, além do relacionamento com as famílias dos alunos, participando do seu desenvolvimento sócio-educacional.

Para quem está, assim como eu, tentando entender um pouco de Educação, o filme é valioso. Vale apontar que, apesar de já ter 11 anos desde seu lançamento, os assuntos tratados são incrivelmente atuais, ainda mais dentro da realidade do Brasil e dos demais países de terceiro mundo

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Quando Tudo Começa
Título Original: Ça Commence Aujourd'hui
Direção: Bertrand Tavernier
Lançamento: 1999 (França)
Duração: 118 minutos
Gênero: Drama
Elenco: Philippe Torreton / Maria Pitarresi / Nadia Kaci / Françoise Bette / Christine Citti / Emmanuelle Bercot / Véronique Ataly / Nathalie Bécue / Sylviane Goudal / Christina Crevillen / Lambert Marchal / Betty Teboulle / Didier Bezace / Gerald Cesbron / Daniel Delabesse

Sinopse
Daniel Lefebvre (Philippe Torreton) é professor numa pequena cidade que sofre com o fechamento das minas de carvão e enfrenta uma alta taxa de desemprego. Daniel e os outros professores são aconselhados a não se envolver com os problemas da comunidade, mas é impossível para Daniel ignorar a miséria, a indiferença do governo e os sérios problemas domésticos que suas crianças enfrentam. Quando uma mãe aparece tão bêbada que acha melhor não levar os filhos pra casa, Daniel entra em contato com assistentes sociais, é ignorado e decide levar as duas crianças para sua casa. Ele então começa uma campanha contra o governo local, reivindicando condições mínimas de vida e dignidade para a população. Além de dificuldades pessoais, como a doença do pai, um ex-mineiro que sofre de enfisema, ele irá enfrentar enormes dificuldades burocráticas e a maquinação das autoridades educacionais. Menção Especial do Júri no Festival de Berlim de 1999.

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